sábado, 25 de novembro de 2006





"O meu percurso foi longo. Não o lamento. Por vezes,obscuro,um caminho arriscado. Outras, alegre, inundado de sol. Foi árduo com maior frequência do que fácil.
A estrada abriu-se-me cheia de perigos desde o início, a floresta densa, as montanhas altas, a escuridão aterradora. E através de tudo isso, mesmo em plena bruma, uma pequena luz, uma ténue estrela para me guiar.
Fui sensata e tonta. Fui amada, e traída, e abandonada. E para meu grande desespero, inadvertidamente, feri outros, e peço-lhes perdão com toda a humildade. Perdoei aos que me magoaram e rogo que eles me perdoem ter-lhes permitido magoar-me. Amei muito, entreguei-me de alma e coração. E, mesmo quando profundamente ferida, continuei o meu caminho, com fé, com esperança, até com uma crença cega, rumo ao amor e à liberdade. O percurso continua, mais fácil do que já foi.

Àqueles de vós ainda perdidos nas trevas, que os vossos companheiros de viagem vos tratem bem. Que se lhes deparem abrigos seguros quando precisarem deles, e com clareiras na floresta; com águas frescas para que possam beber tranquilos, mítigar a vossa sede e banhar as vossas chagas; e, um dia, com a cura.

Quando nos encontrarmos, daremos as mãos e conhecer-nos-emos uns aos outros. A luz está lá, à nossa espera. Cada um de nós deve, à sua maneira, prosseguir até a achar. Para tanto, necessitaremos de determinação, força e coragem, gratidão e paciência. E, para além de tudo isso, de sensatez. No fim do percurso, encontrar-nos-emos, encontraremos a paz, e o amor com que, até então, apenas teremos sonhado."


in "A Viagem"

sexta-feira, 24 de novembro de 2006



Herbie ali tão perto


A primeira visita á Casa da Música e logo para vêr o concerto de uma daquelas pérolas que costumava assistir no canal Bet on Jazz.Era a alegria dos meus 17 (pra além da bola) aquelas horas com concertos de musicos imortais,e este foi o primeiro que vi em carne e osso.O menino de 11 anos que tocava um concerto de Mozart com a orquestra de chicago,aos 23 recebeu o convite pra ingressar na banda de Miles Davis e ninguem mais o segurou,agora já conta com 10 grammys.
Noite de sabado...começou como previ,enganei-me no caminho :) ,mas cheguei também a tempo de uma sessão fotografica no terraço e de uma surpresa...Entramos na sala Suggia e.."será que é ele?..vou lá ou não?..claro que vou!" na regie reencontro o R.Pavani que conheci em Mértola. Nem foi preciso eu perguntar nada,ele com aquela alegria brasileira fez logo uma festa assim que me viu. Mostrou-me o equipamento da regie,apresentou-me o Contour Array da HK e ainda prometeu levar-me ao palco no final,resumindo,um porreiro!
Hora do concerto..sala cheia..tirei uma foto com o tlm,já tinha o segurança a tocar-me no ombro,"oh pahh :( gostava tanto que fosse "a" segurança a vir repreender-me" :P Entrou a banda: Lionel Loueke na guitarra ; Nathan East no baixo ; Vinnie Colaiuta na Bateria. Foi o Herbie que fez a introdução: bastante calma,pausada,relaxando a sala..focou-se mais no Korg Oasys com uma mistura de pad´s bastante suaves,sons de percursão,instrumentos de sopro ; complexa harmonicamente e aumentando de intensidade gradualmente. No fim da primeira música levantou-se e veio á frente mostrar a sua simpatia,simplicidade..um pouco de humor num tom mto agradavel.
Quero destacar o som maravilhoso do Contour juntando uma boa equalização e mistura na Midas.Depois deliciou-nos com o seu aclamado funk,fusão ; momento para fazer acender mais uma estrela no palco: o Colaiuta pôs a plateia a vibrar com o seu groove.Por segundos surgiam-me imagens de um polvo na bateria,os seus membros superiores extendiam-se até á ponta das baquetas como se fizessem parte do corpo,movendo-se com incrivel agilidade e suavidade.Houve tempo também para os solos individuais,o Loueke na guitarra trouxe á tona o lado afro-americano do compositor com um solo surpreendente juntando a percurssão vocal molhada num pitch-shifter,aos sons fortes e variados que conseguia extrair do corpo da guitarra.Ainda assim quem conseguiu o aplauso mais eufórico do público foi o Colaiuta,o único que não solou foi o Nathan,o seu momento viría mais tarde a quando do "I just call to say i love you",como o Herbie não podia trazer todas as estrelas pop que marcaram presença no ultimo album,quem cantou algumas das musicas foi o baixista.Foram pra mim os minutos mais emotivos do concerto,ele cantou como só os afro-americanos sabem..(nem os pelinhos debaixo da camisola ficaram indiferentes).
Foram cerca de 2:30 em que os olhos poucas vezes piscaram.No final lá fomos nós espreitar o equipamento das Vedetas,nem vou referi-lo aqui pra não chocar os mais sensiveis :)
Deixo algumas fotos que o Pavani tirou: