
"O meu percurso foi longo. Não o lamento. Por vezes,obscuro,um caminho arriscado. Outras, alegre, inundado de sol. Foi árduo com maior frequência do que fácil.
A estrada abriu-se-me cheia de perigos desde o início, a floresta densa, as montanhas altas, a escuridão aterradora. E através de tudo isso, mesmo em plena bruma, uma pequena luz, uma ténue estrela para me guiar.
Fui sensata e tonta. Fui amada, e traída, e abandonada. E para meu grande desespero, inadvertidamente, feri outros, e peço-lhes perdão com toda a humildade. Perdoei aos que me magoaram e rogo que eles me perdoem ter-lhes permitido magoar-me. Amei muito, entreguei-me de alma e coração. E, mesmo quando profundamente ferida, continuei o meu caminho, com fé, com esperança, até com uma crença cega, rumo ao amor e à liberdade. O percurso continua, mais fácil do que já foi.
Àqueles de vós ainda perdidos nas trevas, que os vossos companheiros de viagem vos tratem bem. Que se lhes deparem abrigos seguros quando precisarem deles, e com clareiras na floresta; com águas frescas para que possam beber tranquilos, mítigar a vossa sede e banhar as vossas chagas; e, um dia, com a cura.
Quando nos encontrarmos, daremos as mãos e conhecer-nos-emos uns aos outros. A luz está lá, à nossa espera. Cada um de nós deve, à sua maneira, prosseguir até a achar. Para tanto, necessitaremos de determinação, força e coragem, gratidão e paciência. E, para além de tudo isso, de sensatez. No fim do percurso, encontrar-nos-emos, encontraremos a paz, e o amor com que, até então, apenas teremos sonhado."
in "A Viagem"












